Como ser pet sitter e quanto dá para ganhar de verdade

Atualizado em 8 minFontes (2)

Para ser pet sitter no Brasil, ninguém vai pedir seu diploma. A atividade já está na lista oficial de ocupações do MEI, com o nome de "cuidador(a) de animais (pet sitter) independente" (Receita Federal). O que conta é o preparo, porque o trabalho começa quando alguém entrega a você a chave de casa e a responsabilidade por um animal que não é seu.

Pet sitter sorridente abraçando um cachorro grande em um parque

Dá para organizar o começo em cinco etapas:

  1. Aprender o básico de comportamento animal e de primeiros socorros.
  2. Escolher os serviços, a região que você atende e os preços.
  3. Montar um kit, um contrato simples e um plano de emergência.
  4. Decidir se vale se formalizar como MEI.
  5. Conseguir os primeiros clientes e as primeiras avaliações.

O que faz um pet sitter

Os serviços mais pedidos são cinco, e você escolhe quais oferecer:

  • Visita na casa do tutor, para dar comida, trocar a água, limpar a areia do gato, dar remédio no horário e brincar um pouco.
  • Passeio com cães.
  • Pernoite, em que você dorme na casa do tutor.
  • Hospedagem, com o animal dormindo na sua casa.
  • Creche, com o cachorro passando o dia com você.

Hospedagem e creche exigem uma casa preparada antes do primeiro hóspede. Portão ou tela, nada tóxico ao alcance e um canto onde o animal possa ficar separado se precisar. E antes de receber cachorro de fora, leia a regra do condomínio e pense no vizinho de parede.

Que preparo você precisa

Primeiro, aprender a ler o bicho. Cães e gatos mostram medo, dor e estresse pela postura, pelas orelhas, pelo rabo e pelos sons que fazem. Quem entende esses sinais evita mordida e sabe a hora de encerrar uma brincadeira ou de ligar para o tutor. Gato que não come e passa o dia escondido, por exemplo, já justifica uma mensagem no mesmo dia.

Depois vêm os primeiros socorros. Um curso voltado para animais ensina a reconhecer uma emergência (engasgo, sangramento, intoxicação, calor excessivo) e a agir até chegar ao veterinário. Não transforma ninguém em veterinário, claro. Remédio continua sendo só o que o tutor deixou e o veterinário receitou.

No dia a dia, o trabalho é manter a vida do animal como ela já é, com a mesma ração, na mesma quantidade e com passeio no mesmo horário. Se algo precisar mudar, combine antes com o tutor.

Precisa de curso de pet sitter?

Não é obrigatório. Um bom curso encurta o aprendizado, principalmente em primeiros socorros e manejo, e dá argumento na conversa com o tutor. Antes de pagar por um, veja se o conteúdo cobre comportamento, primeiros socorros e cuidados com cães e gatos, e pesquise quem dá as aulas.

Na Sittsy, por exemplo, o cadastro não exige qualificação formal. O que o tutor olha no seu perfil são as avaliações de quem já contratou você. Já cuidou dos seus animais ou dos de amigos? Escreva isso no perfil. Também conta.

Antes do primeiro atendimento

Encontro com o animal

Antes de fechar, marque uma visita na casa do tutor. Pergunte quanto e quando o animal come, que remédios toma, onde se esconde, do que tem medo, se tenta escapar pela porta e como reage a estranhos e a outros cães. Enquanto conversa, observe como ele reage a você.

Contrato por escrito

Não precisa ser longo. Registre os serviços, as datas, os horários e a duração das visitas, o preço e a forma de pagamento, as regras de cancelamento, como as chaves são entregues e devolvidas e o que fazer numa emergência. Nessa última parte, seja específico e deixe por escrito que você pode levar o animal ao veterinário, até quanto pode gastar e quem paga a conta.

Plano de emergência

Antes de cada serviço, salve no celular o telefone do tutor, o de um contato reserva que ele indicar, o do veterinário do animal e o endereço da clínica 24 horas mais próxima. E saiba onde fica a carteira de vacinação.

Chaves, privacidade e notícias

A chave não leva etiqueta com endereço. Nas redes sociais, nenhuma foto que mostre a casa ou deixe claro que o tutor viajou. Ninguém entra com você sem autorização. Portas, janelas e portão ficam fechados do jeito que o tutor pediu, para o animal não fugir. E combine uma foto ou uma mensagem a cada visita, contando se ele comeu e como está.

O kit

O básico vai numa mochila: guia e coleira reserva, saquinhos, lenços, luvas descartáveis, kit de primeiros socorros, lanterna e carregador de celular. Petisco só entra com autorização do tutor.

Pet sitter pode ser MEI?

Pode. A ocupação "cuidador(a) de animais (pet sitter) independente" está no anexo oficial de atividades do MEI, com o CNAE 9609-2/08. Os números de 2026:

  • A guia mensal (DAS) de quem presta serviço custa R$ 86,05, sendo R$ 81,05 de INSS e R$ 5 de ISS (Receita Federal, janeiro de 2026).
  • O faturamento pode chegar a R$ 81 mil por ano. Existe um projeto de lei para subir esse teto, mas ele ainda não está em vigor (gov.br).
  • Com a guia em dia e a carência cumprida, o MEI tem direito a aposentadoria por idade, auxílio por incapacidade e salário-maternidade (gov.br).
  • Com CNPJ, você emite nota fiscal para quem pedir.

Dá para começar sem CNPJ e formalizar quando a renda ficar regular. Para saber o que vale no seu caso, basta uma conversa com um contador.

E seguro? Vale cotar um de responsabilidade civil, que cobre os danos que você cause a terceiros e seja obrigado a indenizar (SUSEP). Pense no cachorro sob seus cuidados que morde alguém no passeio, ou no vaso que quebra na sala do tutor. Esse seguro pesa mais para quem hospeda em casa ou sai com vários cães de uma vez.

Quanto ganha um pet sitter?

Depende de duas coisas: quanto você cobra e quantas reservas fecha. Os preços abaixo mostram só a primeira. São os preços medianos que os cuidadores da Sittsy pediam em setembro de 2026, no valor do próprio cuidador. A visita de 30 minutos vai de R$ 30 em Belo Horizonte a R$ 50 em São Paulo, onde 153 cuidadores a oferecem, e a calculadora no fim desta seção traz o preço de cada cidade. Passeio e pernoite:

CidadePasseio (30 min)Noite na casa do tutor
São PauloR$ 40R$ 120
Rio de JaneiroR$ 35R$ 120
CuritibaR$ 40R$ 100
Porto AlegreR$ 35R$ 80
Belo HorizonteR$ 30R$ 95
BrasíliaR$ 35R$ 80

Cada um desses preços vem de 15 a 146 cuidadores, conforme a cidade e o serviço. A hospedagem na sua casa sai por R$ 100 a noite no Rio, R$ 95 em São Paulo, R$ 80 em Brasília e R$ 60 em Porto Alegre. Em Curitiba e Belo Horizonte, menos de dez cuidadores oferecem hospedagem, gente de menos para uma mediana confiável. Leia esses números como uma vitrine. Eles mostram o preço anunciado, não a renda, e não dizem quantas reservas cada cuidador fecha.

Uma conta de exemplo, que não é promessa. Dez visitas de 30 minutos por semana, ao preço mediano de São Paulo, dão R$ 500 brutos. Desse valor saem o transporte de uma casa para outra e, se você for MEI, a guia de R$ 86,05 por mês. O tempo de deslocamento também entra na conta, só que ninguém paga por ele. Já um fim de semana de duas noites na casa de um tutor, na mesma cidade, rende R$ 240.

Para definir o seu preço, comece perto da mediana da sua cidade. Cobre a mais por animal extra e por remédio em horário fixo, e reajuste quando as avaliações começarem a chegar.

Quanto você poderia ganhar?

Refaça a conta das dez visitas por semana com o preço da sua cidade, lembrando que é o valor bruto, antes do transporte e da guia do MEI.

10 visitas/semana

Você ganharia cerca de

R$500por semana

R$50 por visita

É um preço, não um salário: quantas reservas você recebe depende do seu perfil e da sua região.

Preços por cidade · Visitas ao seu pet

por visita

Crie seu perfil no app Sittsy para receber as primeiras reservas

Baixe o app

Como conseguir os primeiros clientes

  • Comece por quem já confia em você: família, amigos, vizinhos, o grupo do condomínio. Faça um bom trabalho e peça um depoimento.
  • Mostre o que você faz. Poste fotos dos animais sob seus cuidados, com autorização do tutor, no Instagram ou no status do WhatsApp.
  • Pet shops, clínicas veterinárias e lojas de ração do bairro às vezes aceitam um cartaz ou um cartão no balcão. Pergunte antes de deixar.
  • Entre numa plataforma de cuidadores, onde tutores que ainda não conhecem você encontram seu perfil e suas avaliações.

Na Sittsy, o cadastro pede 18 anos ou mais, um smartphone e uma verificação de identidade rápida. Você define o preço de cada serviço. Os pagamentos são processados pelo Stripe dentro do app, e o valor de cada reserva é liberado depois que o período de cuidado termina.

A procura sobe nas férias de dezembro e janeiro. Se você quer trabalhar nessa temporada, chegue a novembro com o perfil pronto e as primeiras avaliações já feitas.

Quanto a Sittsy cobra do cuidador

Criar o perfil, conversar com tutores e receber pedidos não custa nada. A verificação de identidade e a do cartão também são gratuitas, e o cartão fica salvo, sem cobrança. Nas reservas que o tutor paga pelo app, o seu preço chega inteiro, sem comissão.

O custo vem no fim do cadastro, no app: um depósito único, pago por PIX. A menor opção costuma ficar em torno de R$ 150, mas os valores variam conforme a oferta, e o app mostra as opções e o valor exato antes de você pagar. Esse dinheiro vira saldo na sua carteira da Sittsy, e não dá para sacar para a conta do banco. O saldo paga três coisas:

  • O depósito de confiança. Se você passar o seu telefone no chat, ou revelar o do tutor, antes de a reserva ser confirmada, sai da carteira um depósito de 35% do valor da reserva (é o padrão). Ele volta para a carteira quando o tutor paga pela Sittsy. Se a reserva for fechada por fora, não volta.
  • A comissão da Sittsy, quando o tutor paga você em dinheiro.
  • Um centavo por candidatura a pedido, valor simbólico.

Alguns planos vêm com promessa de dinheiro de volta, e o app mostra as condições antes do pagamento. Funciona assim: se nenhum tutor reservar com você nos primeiros 30 dias, você cumprir as condições (5 depoimentos aprovados, candidatura a pelo menos 80% dos pedidos que aparecem para você, agenda aberta em pelo menos 24 dos 30 dias e resposta aos pedidos em até 24 horas) e decidir parar de usar a sua conta, o depósito coberto é devolvido depois desses 30 dias. Nem todo cadastro tem a promessa. Depende da oferta que aparece para você.

Por onde começar

Cadastre-se como pet sitter na Sittsy. Antes de definir o preço, veja o que oferece quem já trabalha na sua região: cuidadores de pets em São Paulo, cuidadores de pets no Rio de Janeiro, cuidadores em Belo Horizonte e cuidadores em Curitiba.

Crie seu perfil no app Sittsy para receber as primeiras reservas

Baixe o app
Fontes (2)
  1. receita.fazenda.gov.br
  2. gov.br